MODERNISMO MUSICAL – O JAZZ ENTRA NA MÚSICA CLÁSSICA
O PROGRAMA
Nos repertórios dos concertos serão interpretadas composições que retratam a influência do jazz na música clássica.
O jazz é uma manifestação artístico-musical que teve suas origens nas comunidades da cidade de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos, dentro da cultura popular e da criatividade das comunidades negras que ali viviam, no final do século 19, principalmente descendentes de escravos libertos.
Por volta de 1808, o tráfico de escravos no Atlântico trouxe aproximadamente meio milhão de africanos aos Estados Unidos, em grande quantidade para os estados do sul. Trouxeram com eles fortes tradições da música tribal. Cantavam e dançavam ao som do banjo de 4 cordas.
Escravos da mesma tribo eram separados para evitar formações de revolta. Não era permitido a utilização de tambores ou instrumentos de sopro que fossem muito sonoros, pois poderiam ser usados no envio de mensagens decodificadas. No entanto, a maioria dos chefes das plantações incentivava o canto para que fosse mantida a confiança do grupo, assim como no porto de Nova Orleans, estivadores negros ficaram famosos pelas suas canções de trabalho. Assim foram as primeiras manifestações musicais dos escravos africanos americanos.
No transcorrer do século 19, um número crescente de músicos negros aprendia a tocar instrumentos ocidentais, especialmente o violino. Conforme aprendiam a música de dança europeia, eles parodiavam estas músicas nas suas próprias danças. Nas igrejas, eles aprendiam hinos protestantes e os adaptavam em spirituals. O ragtime, juntamente com o blues, marcam o início do jazz. O ragtime, muito popular nos Estados Unidos entre 1897 e 1918, foi o primeiro gênero musical autêntico norte-americano. Nasceu de uma modificação da marcha, tocada por bandas de integrantes negros. Começou como música de dança e depois tornou-se partitura popular para piano.
O blues se desenvolveu a partir das canções de trabalho afro-americanas e é caracterizado pelo padrão de chamada e resposta. Está, também, muito ligado à música religiosa das comunidades afro-americanas, os spirituals.
Com estes elementos, misturados, desenvolveu-se o jazz. Esta nova forma de se fazer música, no princípio do século 20, fascinou o povo americano.
A música clássica, em sua marcação rítmica, em geral marca o primeiro tempo de cada compasso. O jazz faz esta marcação no segundo tempo de cada compasso e lida com o ritmo de forma mais flexível, criando o que é conhecido como um efeito de swing. Esta marcação no segundo tempo é chamada de síncopa.
A entrada do jazz na música clássica, feita por americanos, fascinou os compositores europeus desta época, principalmente os franceses.
PROGRAMA | JUNHO 2019
Petite Suíte
1 – No barco – Andantino
2 – Cortejo – Moderato
3 – Minueto – Moderato
4 – Balé – Allegro giusto
Três Prelúdios
1 – Allegro ben ritmato e deciso
2 – Andante con moto
3 – Agitato
Improvisações sobre o tema “Summertime” da
ópera “Porgy and Bess”
Rhapsody in Blue
Dança Eslava
Scott Joplin (1868-1917)
Felicity Rag
Maple Leaf Rag
The Entertainer
Ernesto Nazareth (1863-1934)
Apanhei-te Cavaquinho
Fon-Fon
Escorregando
George Gershwin (1898-1937)
Improvisações sobre o tema “Summertime” da ópera
“Porgy and Bess”
COMPOSITORES

(1868-1917)
SCOTT JOPLIN
Foi um compositor e pianista americano, uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do ragtime clássico. Possuidor de uma incrível capacidade de improvisar, foi considerado o “Rei do Ragtime”. Foi o primeiro a misturar música clássica tradicional com músicas gospel afro-americanas, cantos de trabalho dos negros, ritmos sincopados. Inventou uma nova maneira de compor. As composições de Scott Joplin expressaram a intensidade e a energia de uma América urbana moderna.
Felicity Rag, transmite felicidade e alegria. A composição Maple Leaf Rag é uma de suas primeiras criações e tornou-se modelo para outros compositores. É uma das mais famosas de todas as peças de ragtime. The Entertainer, outra composição de ragtime, foi grande sucesso no início do século 20.

(1863-1934)
ERNESTO NAZARETH
Grande pianista e compositor, um dos criadores do Chorinho, este gênero musical genuinamente brasileiro. Como no final do século 19 ainda não havia se fixado o uso da palavra choro, Nazareth adotou a palavra tango para classificar estas composições, hoje integradas ao universo do choro.
ODEON é uma composição para homenagear um cinema carioca, o Cine Odeon, o mais luxuoso da época, ainda cinema mudo, em 1909. Nazareth se apresentava antes dos filmes começarem, na sala de espera. Muitas pessoas frequentavam o Odeon só para ouvi-lo tocar, deixando inclusive de assistir aos filmes.
BREJEIRO foi o primeiro tango brasileiro composto por Ernesto Nazareth, em 1893. Esta composição foi seu maior sucesso durante sua vida e um dos maiores sucesso da música popular brasileira do século 19.
Em 1914 foi publicada e gravada nos Estados Unidos e Europa, com grande sucesso internacional.

(1862-1918)
CLAUDE DEBUSSY
Compositor e pianista francês, é considerado o criador da nova sonoridade francesa, conhecida como “impressionista”. Masques (Máscaras) é o título desta composição que se refere a personagens da Commedia Dell’arte, presentes nas pinturas do pintor francês Watteau (1684-1721), pelas quais Debussy tinha grande admiração.
Musicalmente o compositor relata máscaras que escondem sentimentos verdadeiros e estes podem ser alegres ou tristes. Général Lavine descreve musicalmente o personagem de um palhaço que fez muitas apresentações divertidas em um teatro de Paris, no começo do século 20 e muito apreciado por Debussy. Clair de Lune (Raio de Luar) é uma das mais belas composições que traduz em música, um raio do luar.
Debussy se inspirou ao ver o clarão da lua quando estava em uma sacada de um prédio em Paris. Retratou musicalmente este espetáculo único da natureza! Toccata é uma composição de ritmo enérgico, extrovertido e gracioso. É uma peça que exige virtuosismo do pianista.

(1898-1837)
GEORGE GERSHWIN
Foi pioneiro de uma nova era na música popular e na música clássica americana. Foi o músico que levou o jazz para as salas de concerto, rompendo as barreiras entre música de jazz e música clássica.
George Gershwin, pianista e compositor americano, nasceu em 1898, em Nova York, filho de pais judeus russos, com o nome de Jacob Gershowitz.
Escreveu a maioria de suas obras vocais e teatrais em parceria com seu irmão Ira Gershwin (1896-1983). Compôs 22 musicais e mais de 700 canções, conquistando seu primeiro sucesso na Broadway em 1919. Gershwin compôs tanto para a Broadway quanto para a música clássica, permanecendo um mestre nos dois domínios.
A Broadway é a maior referência de teatro musical, considerada a forma de dramaturgia mais lucrativa do mundo! A tradição vem desde o começo do século 19, diretamente ligada ao projeto urbanístico de Nova York, em 1811. Uma única avenida já existente escapou do novo desenho, surgindo a Broadway, cortando a ilha perpendicularmente. Ali começaram a surgir os primeiros grandes teatros.
Gershwin compôs os Três Prelúdios em 1926. Cada prelúdio é um exemplo da música clássica americana do início do século 20, influenciada pelo jazz. O primeiro apresenta ritmos variados, do blues ao baião brasileiro, com sonoridade bem jazzística. O segundo, uma canção de ninar com sabor de jazz. Já no terceiro, Gershwin coloca um caráter espanhol, mas também com a presença do jazz.
A composição que marcou a entrada do jazz na música clássica é Rhapsody in Blue, estreada em Nova York, em 1924. Nesta estreia, estavam na plateia os compositores russos Stravinsky e Rachmaninoff. Foi composta especialmente para a banda de jazz de Paul Whiteman, com uma seção de cordas,
QUEM FAZ

OLGA KIUN
CONCERTISTA
Descendente de uma tradicional família de músicos, a pianista Olga Kiun iniciou seus estudos de piano aos 6 anos de idade, com sua mãe e sua avó, ambas professoras do Conservatório Musical de Chisineu (Moldávia). No Conservatório Tchaikovsky, em Moscou, foi aluna do consagrado pianista e professor Lev Oborin, graduando-se com distinção. Foi laureada no Concurso Internacional George Enescu, na Romênia. Em Leningrado (hoje São Petersburgo), sob a orientação de Pavel Serebriakov, concluiu o doutorado e passou a integrar o Mosconcert, sociedade artística estatal, junto da qual realizou diversos recitais, concertos com orquestra e gravações para o rádio e a televisão por toda a ex-União Soviética.
A partir de 1993 passa a lecionar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), em Curitiba, e, desde então, vem fazendo da cidade um reconhecido e procurado polo pianístico da América do Sul, tendo elevado o ensino de piano a patamares sem precedentes. Olga Kiun tem formado gerações de pianistas atuantes no panorama musical brasileiro e internacional, que colecionam primeiros lugares em mais de 50 concursos nacionais e internacionais.
Além de atuar como recitalista e solista junto aos mais conceituados grupos sinfônicos - tendo trabalhado com regentes como Evgeny Tsirlin, Emin Khachaturian, Kiril Kondrashin, Alceo Bocchino, Benito Juarez, Roberto Duarte, Osvaldo Colarusso, Osvaldo Ferreira e Roberto Minczuk - suas atividades pedagógicas incluem, ainda, participações como professora convidada em festivais de música por todo o país.
Em 2010 gravou seu primeiro CD e em 2017 o segundo, com obras de compositores russos e brasileiros. Atuou e atua como jurada em inúmeros concursos de piano do Brasil, tendo sido diretora artística e uma das idealizadoras do 1º Concurso Internacional de Piano de Santa Catarina e tendo também realizado as duas primeiras edições do Festival Olga Kiun em Curitiba, reunindo vários de seus alunos, ex-alunos e pianistas internacionais convidados.

DAVI SARTORI
CONCERTISTA
Pianista, arranjador e compositor, Davi Sartori é um músico que constrói sua carreira movendo-se por ge^neros diversificados. Premiado em vários concursos de piano, é autor de composições e arranjos para formações orquestrais e câmera de destaque no país. Está radicado em Curitiba onde trilha sua carreira musical em vários projetos.
O anseio por desenvolvimento promove sua mudanc¸a a Curitiba no ano 2000, quando passou a integrar a classe da respeitada pianista russa Olga Kiun, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Durante seus estudos frequentou assiduamente as Oficinas de Música de Curitiba, recebendo orientação de importantes professores. Interessado em outros direcionamentos musicais, especialmente arranjo e composição, estudou Harmonia e Análise Musical com o Maestro Osvaldo Colarusso. Alcançou destaque em diversos concursos nacionais de piano, sendo premiado nos concursos de Governador Valadares em 2001 (MG), Concurso de Piano da Escola de Belas Artes de Curitiba em 2002, Prêmio Nabor Pires Camargo com o duo formado com o Clarinetista Jairo Wilkens,
Vence o concurso Jovens solistas da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre RS e como prêmio realizou sua estreia como solista interpretando a “Rhapsody in Blue”, de Georg Gershiwin sob regência do maestro Manfredo Schmiedt. Também teve suas composições premiadas no “Cascavel Jazz Festival” 2004.
Após formado, foi professor contratado da Universidade Federal do Paraná e da Escola de Música e Belas Artes, lecionando aulas de piano no curso superior de música.
Atuou como solistas nas principais orquestras do sul do Brasi. Apresentou-se com a Camerata Antiqua de Curitiba em turné em concertos no festival de inverno de Campos do Jordão e na Sala São Paulo. Foi solista com a orquestra de cordas de RIbeirão Preto com a regência de Claudinei Alves De Oliveira e Orquestra de Câmara no Festival Olga Kiun com regência de Osvaldo Colarusso.
Recebeu importantes críticas interpretando o “Concerto para piano e instrumentos de Sopros” de Igor Stravinsky, em concertos realizados no teatro Guaíra durante o encerramento da 32ª Oficina de Música de Curitiba, sob regência do Maestro Edvaldo Chiquini e posteriormente na Temporada 2014 da OSP com o maestro Ricardo Bologna.
Davi Sartori dedica parte do seu tempo a composições para música de concerto tendo recebido inúmeros convites. Recebeu uma encomenda do grupo italiano de música contemporânea "Sonata Islands" para compor a obra "Luanda - Fantasia sobre o Maracatu", que foi estreada na Itália nas cidades de Trento e Milano tendo como solista o clarinetista italiano Gabrieli Mirabassi.
No ano seguinte, estreou sua obra camerística “Miniaturas do Imaginário Infantil” na Capela Santa Maria em Curitiba. Peça em quatro movimentos escrita para Piano, Flauta, Violoncello e Percussão. A Convite da Fundação Cultural de Curitiba, compõe a sua mais extensa obra até o momento: “A Lenda de Uakti”. O Poema Sinfônico é baseado na lenda indígena de Uakti e recebeu textos/poemas de Etel Frota. Volta a compor sob encomenda para o principal grupo de câmara de Curitiba em 2017. Apartir do poema de Luci Collin escreve a obra “Cumprimento das Juras” - a obra escrita para Coro e orquestra de cordas foi apresentada na programação oficial da Camerata Antiqua de Curitiba no mesmo ano.

LIANA JUSTUS
CURADORIA
Há 25 anos formando novas plateias em música clássica!
Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná; Especialista em História da Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Licenciada em Educação Musical; Curso Superior de Piano; Palestrante e Pesquisadora; Membro da Academia de Cultura de Curitiba; Membro do Centro Feminino de Cultura; Coautora de 11 livros publicados sobre música, dois deles finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 e 2011. www.lianajustus.com.br
MASSIN, Jean e Brigitte. História da Música Ocidental. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
CANDÉ, Roland. História Universal da Música. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
MUGGIATI, Roberto. O que é Jazz. São Paulo: Editora Hedra Ltda, 1993.
WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO ( 2014)
RAY (2004)
CHICAGO (2002)
SINFONIA DE PARIS (1951)