A MAGIA DA VOZ HUMANA
O PROGRAMA
A voz é mais do que palavras que são pronunciadas, mais do que a qualidade do som que sai da boca. É o corpo inteiro emanando energia!
A voz humana é o único instrumento que centraliza num mesmo corpo, executante e meio de execução e diferente dos outros instrumentos musicais, pode acrescentar palavras à música. Os cantores usam a voz humana como um instrumento para criar música, apresentando o canto com acompanhamento de instrumentos musicais ou sem instrumento, chamado canto a capela.
A voz é o meio mais natural, artístico e espontâneo de se fazer música com o corpo humano. Por isso, o canto é a expressão mais universal entre os tipos da música mundial.
A voz cantada é o instrumento mais perfeito e elevado, pois além de fabricar sons musicais consegue traduzir e transmitir a ideia, a mensagem direta que cada som quer dar utilizando sons e palavras. Ela ultrapassa a comunicação linguística e é a mais imediata e sensível entre todas as fontes sonoras, além de ser a mais rica de emoção e calor humano. Com ela, nasceu a música!
O canto coral, reunindo grupos de vozes cantando juntas está registrado na pré-história em pinturas rupestres de cavernas na Espanha. Na Grécia Antiga ele aparece no nascente teatro grego. No século I, em Roma, os primeiros cristãos já cantavam em coro. Os primeiros coros organizados de forma efetiva aparecem a partir do ano 1000, nos mosteiros e comunidades religiosas cristãs, uma herança do culto judaico.
Na música clássica e na ópera, as vozes são tratadas como instrumentos musicais. Na ópera, determinadas delas são associadas a papéis específicos.
A ópera exige vozes especiais. É preciso que sejam cantores com grande volume na voz. Isso porque num teatro de ópera não é permitido o uso de amplificadores, de microfones. O microfone só é usado quando a apresentação é ao ar livre. Cantar bem, especialmente ópera, requer anos de treinamento, pois a linguagem especial da ópera é a voz operística.
A CLASSIFICAÇÃO DAS VOZES
MULHERES
SOPRANO – AGUDA
MEZZO-SOPRANO – INTERMEDIÁRIA
CONTRALTO – GRAVE
HOMENS
TENOR – AGUDA
BARÍTONO – INTERMEDIÁRIA
BAIXO – GRAVE
A VOZ
A música sempre esteve presente no universo. Os sons da natureza, tais como o barulho das ondas do mar, o canto dos pássaros, representaram por muito tempo uma canção puramente natural e é nesses sons que está a origem da música como marca cultural das sociedades humanas.
O homem primitivo foi capaz de distinguir os sons da natureza para a sua sobrevivência e por instinto descobriu o mais precioso dos instrumentos musicais: a voz! Ainda ela não era utilizada como uma combinação de notas para formar uma melodia, mas uma forma de comunicação por impulso, da mesma forma que os outros animais.
A voz é produto da evolução humana. É uma característica do homem intimamente relacionada com a sua necessidade de se agrupar e se comunicar. Estudos arqueológicos nos dão indícios de que na Grécia Antiga as pessoas se comunicavam, na maior parte do tempo, num estilo de declamação, como uma melodia recitada. Ainda hoje encontramos muitos idiomas e sotaques cantantes.
Foi também na Grécia Antiga que apareceram os primeiros cantos propriamente ditos e eram feitos somente por homens. O canto era o principal instrumento para narrar e contar a Tragédia Grega. O fato de não colocarem as mulheres cantando era pelo fato das vozes femininas serem mais agudas e tirarem a homogeneidade sonora. Além do mais, a música era considerada sagrada e ter variações de timbres e notas era tido como pecaminoso.
Sendo uma das maiores expressões de sentimentos, o canto é algo muito poderoso e começou nos templos e nas igrejas. Durante a Idade Média, a Igreja Cristã teve uma grande influência sobre as produções musicais da época e com isso nasceu o famoso canto gregoriano que tornou-se a base de toda a música ocidental. Naquele tempo as missas eram todas cantadas e tinham um caráter mágico de comunicação divina.
A partir do século 13 o canto evoluiu, entrando a melodia e, num novo conceito, várias pessoas podiam cantar, incluindo mulheres e crianças. Além de estar presente nas igrejas se fez presente nas ruas e nas encenações teatrais, abrindo possibilidades para a música não religiosa.
A Itália desponta como o berço da música europeia e tem um grande papel no desenvolvimento da voz cantada. Torna-se a criadora da ópera, numa integração de interpretação, narração, dança e canto! E a voz atinge a sua plenitude artística humana!
PROGRAMA | DEZEMBRO 2019
Habanera
Una furtiva lagrima
Mon Coeur souvre a la voix
Uirapuru
Sevillanas del siglo XVIII
Va pensiero
Ave Maria
Bring him home
Pie Jesu
O Sole Mio
Torna a Surriento
COMPOSITORES

(1838-1875)
GEORGES BIZET
Compositor e pianista francês do período romântico musical. É o autor da mais popular de todas as óperas, Carmen, que possui árias com músicas belíssimas! A Habanera, que vamos ouvir no programa de hoje, é uma ária para a voz de mezzo-soprano e quando é cantada apresenta a personagem à plateia, mostrando sua personalidade e sua visão da vida, com plena liberdade de pensamento sobre o amor.

(1797-1848)
GAETANO DONIZETTI
Compositor italiano de óperas, autor da conhecida ópera O Elixir do Amor e é dela a maravilhosa ária, para tenor, que será apresentada, Uma furtiva lagrima. É uma das mais famosas árias da história da ópera e nela o personagem expõe sua imensa alegria ao perceber que seu amor é correspondido por sua amada!

(1835-1921)
CAMILLE SAINT-SAËNS
Compositor, pianista e organista francês do período do romantismo musical. A ária Mon coeur s’ouvre à ta voix, para a voz de mezzo-sopprano, é muito conhecida e faz parte da ópera Sansão e Dalila, um grande sucesso deste compositor francês. Dalila canta para Sansão. Parece uma música de amor, mas está fervendo de sedução e traição.

(1905-1995)
WALDEMAR HENRIQUE
Compositor, pianista, maestro e escritor brasileiro, nascido em Belém do Pará e símbolo do Pará. Suas obras têm principalmente como temas o folclore amazônico, indígena, nordestino e afro-brasileiro. Uirapuru é uma canção que aborda temas do folclore amazônico e do pássaro que ao cantar todos param para ouvir. O canto do uirapuru foi imortalizado pelo talento do compositor brasileiro.

(1898-1936)
FEDERICO GARCÍA LORCA
Poeta, dramaturgo, pintor, pianista e compositor espanhol, um dos nomes mais importantes da literatura espanhola do século 20. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética, seus poemas costumam ter títulos musicais. Teve uma sólida formação musical. A vivaz e alegre Sevilhanas del siglo VIII mostra uma dança de casais ao modo de Sevilha, com grande influência do flamenco e da música cigana.

(1813-1901)
GIUSEPPE VERDI
Alemão, foi um dos maiores compositores românticos da música clássica! Suas obras para piano estão plenas de emoção e sensibilidade. Sonhando é uma delas, uma melodia delicada, do mundo dos sonhos, antes do retorno à realidade. Novelletten são peças vibrantes, cheias de energia e exigem virtuosismo do pianista.

(1818-1893)
CHARLES GOUNOD
Compositor, pianista e organista francês, do período do romantismo musical, famoso sobretudo por suas óperas e música religiosa. A Ave Maria de Bach/Gounod é uma das composições mais famosas e gravadas sobre o texto em latim da oração Ave Maria. Ela tem este título porque Gounod escreveu uma melodia e a sobrepôs ao Prelúdio No 1 de Bach, escrito 137 anos antes.

(1944)
CLAUDE-MICHEL SCHÖNBERG
Compositor e cantor francês de musicais. Suas grandes obras incluem Les Miserables e Miss Saigon. Bring him home é uma linda canção do musical Les Miserables. Implora a Deus que salve e devolva o personagem Marius à personagem Cosette.
Em 1914 foi publicada e gravada nos Estados Unidos e Europa, com grande sucesso internacional.

(1948)
ANDREW LLOYD WEBBER
Compositor de musicais inglês, muito premiado, é considerado um dos compositores teatrais de maior renome do fim do século 20. É de sua autoria os musicais Evita, Memory, Cat’s e O Fantasma da Ópera. Pie Jesu faz parte de uma obra maior, o Réquiem, uma missa fúnebre, escrita em memória ao pai do compositor que havia falecido. É a parte mais conhecida desta obra. É um clamor a Jesus pelo descanso da alma.

(1865-1917)
EDUARDO DI CAPUA
Compositor e cantor napolitano. É compositor da célebre canção O Sole Mio. É uma canção que exalta os dias ensolarados, amor à sua terra, otimismo e alegria de viver!

(1875-1937)
ERNESTO DE CURTIS
Compositor italiano, autor de Torna a Surriento, uma das mais populares canções napolitanas, junto com O Sole Mio, Funiculi Funicula e Santa Lucia. Esta canção fala de amor, e toda a beleza de Sorriento, uma cidade próxima de Nápoles. Uma música que toca a nossa alma!
QUEM FAZ

RENATO CORDEIRO
CONCERTISTA
O Tenor Renato Cordeiro é Curitibano, começa a estudar canto com o tenor Curitibano João Cardoso, se transfere para Inglaterra onde se forma Bacharel e Mestre em Música/performance-canto lírico pelo TrinityLaban Conservatório. Participa de inúmeras masterclasses incluindo com Sarah Walker - UK , Luciano Di Pasquale - Italia, Robert Tear – UK, Ubaldo Fabbri - Itália, Carlos Aransay – Peru. Estreia na Inglaterra em varias produções incluindo, Royal Opera House Covent Garden. Na Inglaterra e Itália debuta nas Óperas de G. Donizetti: Don Pasquale - Ernesto, Nemorino em L'Elisir D 'Amore, Edgardo em Lucia di Lamermoor, Lord Percy em Anna Bolena, e também nos papéis de Rodolfo em La Boheme de Puccini, Alfredo em La Traviata- Verdi, Conde D' Almaviva, Barbeiro de Sevilha-Rossini e Duque de Mantua em Rigoletto-Verdi. Na Itália faz parte do grupo de Opera Villa InCanto sob a direção do maestro Riccardo Serenelli fazendo parte das temporadas de ópera de 2012 até o momento. Renato também se interessa pelo repertório de câmera tendo feito concertos de canções brasileiras em Londres e Itália. Atualmente estuda com o Tenor Raul Gimene em Barcelona.

CAROL OSTERNACK
CONCERTISTA
Iniciou seus estudos aos 16 anos de idade. Foi aluna da Mestra Neyde Thomas e atualmente é orientada pela Mestra Luciana Melamed. Em 2013, participou do Concurso Maria Callas em SP, nível internacional, ficando entre as melhores cantoras da competição. Em 2017, foi a única brasileira selecionada no Masterclass de Canto Lírico em Salzburg, na Áustria, pela Soprano Luciana Serra. Atuou como Solista nos seguintes festivais importantes do Paraná: Festival de Música de Londrina, Oficina de Música de Curitiba e Festival de Ópera do Paraná. Atualmente é preparadora vocal, líder de naipe e solista nos Corais Santa Rita e ArtEncanto de Curitiba.

MATHEUS ALBORGHETTI
CONCERTISTA
Pianista pederneirense, participou em 2011 da reinauguração do piano da Sociedade Cultural Lírica de Joinville, através do Projeto “Stein”. Participou das três edições (2014/15 e 2018) do espetáculo “ Noite das Artes”, na Sociedade Harmonia Lyra de Joinville, acompanhando o barítono catarinense Douglas Hahn. Em Agosto de 2014 começou a desenvolver, em conjunto com D. Hahn, o projeto camerístico “Interlúdio” na S.H. Lyra. Participou de cinco edições (2015 a 2019) do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc) como pianista correpetidor das classes de canto lírico de renomados profissionais, como Gino Quilico, Céline Imbert e o maestro André dos Santos, e também de ópera (La Bohème – 2018; Suor Angelica – 2019); participou do Masterclass de correpetição e canto (2015), ministrado pelo maestro italiano Alessandro Sangiorgi; no mesmo ano apresentou-se, como cravista, no intermezzo “Il Maestro di Cappella”, em conjunto com a Camerata Dona Francisca (Jlle) e D. Hahn. Participou em 2016 na primeira edição de “Temporada de Óperas” em Maringá (ministrado pelo maestro A. Sangiorgi e pela soprano Rosana Lamosa) e nos festivais em Joinville (2017/18) e Londrina (2017). Participou da estreia da operetta “Janaina não seja boba”, idealizada por A. Sangiorgi e Roberto Innocente, em Curitiba (2019). Atualmente faz bacharelado em piano na Unespar –EMBAP/PR, é regente do Coral Ítalo-brasileiro do Circolo Italiano di Joinville, e desenvolve trabalhos de correpetição operística e de música de câmara com instrumentistas, cantores e corais.

JEFERSON ULBRICH
CONCERTISTA - APRESENTAÇÃO EM CURITIBA
Pianista brasileiro, teve sua formação musical no Brasil e na Alemanha. Recebeu vários prêmios em concursos nacionais e internacionais de piano. Foi solista da OSESP e pianista da Orquestra Junge Deutsche Philarmonie. Como camerista, foi integrante do Trio Klang e do SAPiano Duo.

LIANA JUSTUS
CURADORIA
Há 25 anos formando novas plateias em música clássica!
Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná; Especialista em História da Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Licenciada em Educação Musical; Curso Superior de Piano; Palestrante e Pesquisadora; Membro da Academia de Cultura de Curitiba; Membro do Centro Feminino de Cultura; Coautora de 11 livros publicados sobre música, dois deles finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 e 2011. www.lianajustus.com.br
DIGAETANI, John Louis. Convite à Ópera. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988
COSTA, Henrique Olival e Siva, Marta Assumpção. A Voz Cantada. São Paulo: Editora Lovise Ltda, 1998
- A Vida no Paraíso, 2004
- O Fantasma da Ópera, 2004
- A Voz do Coração, 2003
- 4º Movimento da Nona Sinfonia de Beethoven.
- Carmina Burana, de Carl Orff.