MODERNISMO BRASILEIRO – FLAUTA PIANO E VIOLONCELO
O PROGRAMA
A MÚSICA DE CÂMARA
A música clássica possui diversos agrupamentos, desde o canto coral até a orquestra sinfônica. A música de câmara é composta para um pequeno grupo de até 10 instrumentos. Música com atmosfera íntima, para espaços menores que uma sala de concerto, é uma música refinada, onde há destaque de cada nota tocada.
Os músicos que fazem parte destes grupos musicais menores são sempre grandes solistas e tocam seguindo a partitura, pois cada um tem a sua exclusiva, executando uma parte diferente do outro.
Este gênero musical possui inúmeras composições para instrumentos de corda e sopro e muitas vezes, o piano acompanha.
A música de câmara é mais cerebral e delicada. Apreciá-la demonstra uma maturidade musical alta. De uma limpidez sonora, é um excelente treino de escuta musical. Sua origem é antiga, pois remonta à época em que se fazia música nas casas, dando origem aos famosos saraus e serenatas, tão apreciados pelo público brasileiro de então.
PRINCIPAIS FORMAÇÕES:
ORQUESTRA DE CÂMARA – orquestra com menos instrumentos do que uma orquestra sinfônica. A orquestra sinfônica é composta por mais de 50 instrumentos. A orquestra de câmara é composta por até 40 instrumentos e também necessita de um maestro.
QUARTETO DE CORDAS – composto por 2 violinos, 1 viola, 1 cello.
DUETO OU DUO – composto por piano mais outro instrumento ou dois pianos.
TRIO COM PIANO – composto por piano, 1 violino, 1 cello.
QUINTETO DE SOPROS – composto por 1 fagote, 1 trompa, 1 clarinete, 1 oboé, 1 flauta.
SEXTETO – composto por 2 violinos, 2 violas e 2 violoncelos.
OCTETO – união de dois quartetos de cordas.
Quando se diz “ quinteto para piano “, significa que é um quarteto de cordas mais o piano. Os concertos solos de piano ou violão são do repertório de concerto instrumental, não de música de câmara. Para ser enquadrado neste segmento é preciso que tenha dois musicistas tocando juntos. Existe um imenso repertório especial e distinto para a música de câmara e todos os compositores dedicam-se a compor obras especiais para essas sonoridades menores. Entre eles, destacam-se Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms e Dvorák e até os dias de hoje são compostas belas obras por compositores contemporâneos.
No Brasil, a música de câmara é muito apreciada e temos grandes compositores deste gênero musical, como Villa-Lobos.
O VIOLONCELO
Instrumento de quatro cordas, pertencente ao naipe das cordas da orquestra sinfônica e de importante participação na música de câmara. É tocado, geralmente com arco, na posição vertical colocado entre as pernas do músico sentado, apoiado no chão por um espigão de metal ajustável. Possui um timbre maravilhoso! A sonoridade poderosa e vibrante do violoncelo faz dele o mais lírico dos instrumentos. Como instrumento solista foi destacado por Vivaldi, Bach, Beethoven, Schumann, Camille Saint-Saëns, Elgar e Villa- Lobos.
OBRAS SIGNIFICATIVAS DO VIOLONCELO:
- Concerto Triplo de Beethoven
- O Cisne, do Carnaval dos Animais de Saint-Saëns
- Bachianas Brasileiras Nº 1 e Nº 5, de Villa-Lobos.
A FLAUTA
A flauta é o mais antigo instrumento criado pelo homem. Foi usada por todos os povos da Antiguidade e em todas as épocas. A flauta é tocada soprando-se através de um bocal lateral. As primeiras flautas eram feitas de madeira, mas a partir da metade do século 19 ela passou a ser feita de metais nobres como prata e ouro. Dos mais ágeis instrumentos de sopro da orquestra, indo com facilidade do som grave ao agudo, é um instrumento que se faz presente na música clássica e também na música popular.
Muito apreciada pelos brasileiros, a flauta faz parte dos grupos de choro e temos no nosso Altamiro Carrilho um dos maiores flautistas do mundo.
OBRAS SIGNIFICATIVAS PARA FLAUTA:
- O Voo do Besouro, de Rimsky Korsakov
- Concerto para Flauta e Harpa, de Mozart
- Chorinhos de Pixinguinha
PROGRAMA | NOVEMBRO 2019
Divagando – (Violoncelo e Piano)
1º Tango – (Violoncelo e Piano)
1 – Canto da nossa terra – (Violoncelo e Piano)
2 – Trenzinho caipira – (Violoncelo e Piano)
Assobio à jato – (Flauta e Violoncelo)
1º Movimento
2º Movimento – Adagio
3º Movimento
Sonatina – (Flauta e Piano)
1º Movimento – Allegro Moderato
2º Movimento – Expressivo
3º Movimento – Lembrando Pixinguinha
1 – Serenata d’Amore – (Flauta e Piano)
2 – Primeiro Amor – (Flauta e Piano)
COMPOSITORES

(1879-1970)
BENTO MOSSURUNGA
Maestro, pianista, violinista e compositor brasileiro, nascido no Paraná. De família musical, iniciou na música através da violinha sertaneja, tendo crescido entre violeiros populares e ouvindo música produzida por ex-escravos libertos que moravam numa colônia próxima à sua casa. Aos 16 anos começou a estudar violino e piano em Curitiba. Em 1905, aos 26 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar e trabalhar como músico. De volta a Curitiba em 1930, nesta cidade desenvolveu intensa atividade musical, compondo hinos, canções e obras para orquestra. É o autor do Hino do Paraná. Tem também uma extensa obra de música popular. Divagando mostra a alma sentimental brasileira!

(1958)
HÉLIO BRANDÃO
Compositor, saxofonista e contrabaixista brasileiro, nascido em Curitiba. Iniciou seus estudos com o professor Donato D’Alló e integrou o Coral e Conjunto da Família Brandão, Orquestra Juvenil, a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Paraná e a Orquestra de Câmara de Blumenau, apresentando-se por todo o Brasil e pela Europa, junto a artistas de renome como Jean Pierre Rampal, Arthur Moreira Lima e outros. Estudou saxofone por oito anos no Rio de Janeiro com Mauro Senise. Participa de shows, festivais e turnês pelo Brasil e Europa com artistas brasileiros como Milton Nascimento, Hermeto Paschoal, Alaíde Costa e outros. Ganhou o Troféu Chiquinha Gonzaga – Dez Melhores Discos de 84 no Rio de Janeiro com composições em parceria com o compositor paranaense Chico Mello. Foi Diretor Artístico da Oficina de MPB de Curitiba em 2002 e 2003. Atualmente se apresenta com orquestras sinfônicas brasileiras, como músico camerista, jazzista, professor e compositor. 1º TANGO – lírico, nostálgico e melancólico, apaixonante é a obra de Hélio Brandão que transita pelo jazz e pela música clássica.

(1887-1959)
HEITOR VILLA-LOBOS
Compositor, maestro, violoncelista, pianista e violonista brasileiro. Escreveu numerosas obras orquestrais, de câmara, instrumentais e vocais. Foi descobridor de uma linguagem genuinamente brasileira em música, tornando-se o maior expoente da música do modernismo do Brasil. Suas obras têm elementos das culturas regionais Brasileiras e elementos das canções populares e indígenas. O Canto da Nossa Terra e o Trenzinho do Caipira que vamos ouvir faz parte de uma obra maior, as Bachianas Brasileiras No 2. As Bachianas Brasileiras é uma série de nove composições escrita para diversas formações instrumentais, com material folclórico brasileiro. Assobio à Jato foi composta em 1950, em Nova York. Para flauta e violoncelo. A peça, virtuosística, explora as características dos dois instrumentos.

(1906-1988)
RADAMÉS GNATTALI
Compositor, maestro, arranjador e pianista brasileiro. Gaúcho, desenvolveu sua carreira artística no Rio de Janeiro, onde substituiu Pixinguinha como arranjador na gravadora RCA Victor. Durante 30 anos trabalhou como arranjador na Rádio Nacional e é dele o lindo arranjo orquestral de Aquarela do Brasil. Foi contemporâneo de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha e parceiro de Tom Jobim. É um dos maiores responsáveis pela diluição das fronteiras entre o clássico e o popular. Deixou grande obra sinfônica e camerística é um dos maiores arranjadores brasileiros, com cinco décadas de atuação na música popular brasileira.

(1880-1907)
PATÁPIO SILVA
Compositor e flautista brasileiro de raro talento. Com sua flauta criou uma linguagem que sintetizou os vários estilos de música que conhecera: música clássica, a música de salão, as músicas das praças, das bandas, do espírito carioca do choro. Foi um dos primeiros artistas brasileiros a gravar sua obra em disco, o que fez para a antiga Casa Edson, no Rio de Janeiro. Faleceu precocemente, aos 27 anos, durante uma turnê em Florianópolis, de febre amarela. É considerado um dos maiores flautistas da história.
QUEM FAZ

MARIA ALICE BRANDÃO
CONCERTISTA
Curitibana de família de músicos, estudou violoncelo com Donato d’allo, Zygmunt Kubala, Gerhard Mantel e Christoph Coin. Foi fundadora da Camerata Antiqua de Curitiba, spalla da Orquestra Juvenil da OSUFPR e Orquestra Sinfônica da Bahia, integrante da OSP, entre outras. Atualmente é professora na EMBAP e atua em concertos de música de câmara.

ZÉLIA BRANDÃO
CONCERTISTA
Formada pela EMBAP, fez especialização em flauta barroca na Suíça. Atua como convidada e solista em diversas orquestras e grupos de câmara. É docente do Conservatório de MPB de Curitiba. Dedica-se à pesquisa da música popular brasileira, tendo participado de diversos grupos de choro e MPB. Envolvida com música cênica desde 1984, escreve e interpreta seus próprios espetáculos.

FÁBIO CARDOSO
CONCERTISTA
Pianista, compositor e arranjador. Formado pelo Curso Superior de Instrumento na EMBAP. Atuante na área da música popular brasileira, foi pianista dos grupos ligados ao CMPB. Participa de shows, gravações e peças de teatro musical. Com o Cariguá Trio, lançou o CD O OLHO.

LIANA JUSTUS
CURADORIA
Há 25 anos formando novas plateias em música clássica!
Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná; Especialista em História da Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Licenciada em Educação Musical; Curso Superior de Piano; Palestrante e Pesquisadora; Membro da Academia de Cultura de Curitiba; Membro do Centro Feminino de Cultura; Coautora de 11 livros publicados sobre música, dois deles finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 e 2011. www.lianajustus.com.br
Quinteto A Truta, de Schubert
Quinteto para Piano, Oboé, Clarinete,
Fagote e Trompa, de Mozart
O Quarteto, 2012
O Último Concerto, 2013