O CLASSICISMO MUSICAL – PIANO A QUATRO MÃOS
O PROGRAMA
O CLASSICISMO MUSICAL
O período do classicismo musical se estendeu de 1750 a 1810. Durante esses anos, muitas novidades musicais surgiram. O piano foi inventado, Mozart, a partir dos 8 anos começa a compor suas 41 sinfonias e com isso a música sinfônica começa a ser difundida pela Europa. Este compositor vai ser o grande nome do classicismo. A composição passou de um estilo ornamentado barroco para um estilo de extrema simplicidade. O equilíbrio entre estrutura e expressão, a clareza, formam a base do estilo musical clássico.
No classicismo, estabeleceu-se o naipe das madeiras na orquestra: flauta, oboé, clarinete e fagote. Nasce a orquestração e a dinâmica na execução. A dinâmica é a força ou a suavidade imprimida ao tocar um som. As formas musicais da sinfonia, quarteto de cordas, concerto solista e sonata foram estruturadas. Também neste período houve a substituição do cravo pelo piano e a música instrumental passou a ter um destaque maior. O modelo de posicionamento instrumental na orquestra avançou em seu desenvolvimento, já estruturados os naipes das cordas e dos sopros de madeira.
SINFONIA
Composição para ser executada por toda a orquestra. Dividida em 4 partes, que chamamos Movimentos.
SONATA
Composição para 1 ou 2 instrumentos solos. Dividida em 3 Movimentos.
CONCERTO
Instrumento solista acompanhado pela orquestra, dividido em 3 Movimentos.
QUARTETO DE CORDAS
Composição para a formação de 2 violinos, 1 viola e 1 violoncelo. Dividido em 4 Movimentos.
O PIANO A QUATRO MÃOS
O piano é um instrumento com amplas possibilidades sonoras, pois possui 88 notas e tem a capacidade de, conforme o toque do pianista, fazer sons fracos ou fortes. Essa sua característica foi a grande novidade apresentada pelo seu inventor italiano Bartolomeo Cristofori (1655-1731), em 1711. Esta possibilidade o colocou como o instrumento moderno que substituiu o cravo, que não tinha estas condições sonoras.
Aos 21 anos, Mozart substituiu definitivamente o cravo pelo piano. Era um grande pianista, um dos maiores virtuoses de todos os tempos e participou da afirmação de um instrumento que viria a ser o rei entre todos os outros. Mozart é o criador do Piano a Quatro Mãos, assim como do Concerto para Piano e Orquestra. Suas obras para piano exigem enormes habilidades técnicas e expressivas do pianista.
A formação de dois pianistas tocando a quatro mãos é uma das formações mais apreciadas. A primeira sonata de Mozart, no gênero a quatro mãos, composta aos 9 anos de idade, iniciou uma série de outras obras que compunha para se apresentar com sua irmã, com melodias elegantes acompanhadas com simplicidade, no estilo do classicismo, estilo de sua época.
A partir de Mozart, a produção de obras para piano a quatro mãos não cessou de ser composta, perpassando por todos os estilos da música clássica que se seguiram.
O PIANO NO BRASIL
Entre o fim de 1807 e o começo de 1808, com a chegada da corte portuguesa e do príncipe regente Dom João, um amante das artes, foram trazidos para o Brasil os primeiros pianos. A abertura dos portos e os tratados firmados com a Inglaterra foram os principais fatores que determinaram a entrada maciça de pianos no Brasil. A família real trouxe para cá, também, uma série de músicos que residiam em Lisboa. Foi o início de uma vida musical erudita no Brasil. O Rio de Janeiro chegou a ser chamado de “cidade dos pianos”. O piano acabou dominando não só a música erudita como alcançou os conjuntos populares, passando a integrar grupos de choro através de Chiquinha Gonzaga (1847-1935). Foi um integrante importante na Bossa Nova.
PROGRAMA | OUTUBRO 2019
Cortège Burlesque
Bourrée Fantasque
Congada
COMPOSITORES

(1841-1894)
EMMANUEL CHABRIER
Compositor e pianista francês, do período do romantismo e considerado por muitos compositores posteriores como um importante inovador que abriu caminhos para o modernismo musical francês. Foi Muito admirado por Ravel.
Cortège Burlesque e Bourrée Fantasque, uma de suas últimas composições, são obras de sonoridades brilhantes, indo de sons pianíssimos (suavíssimos) aos sons fortíssimos. São obras emocionantes e originais, importantes na literatura da música de piano francesa. O piano é tratado quase como uma orquestra, fazendo estas peças terem uma sonoridade rica e grandiosa!

MAURICE RAVEL
Compositor e pianista francês, do período do impressionismo musical francês, conhecido sobretudo pela sutileza das suas melodias instrumentais e orquestrais entre elas, o Bolero, a obra francesa mais tocada no mundo. Foi grande mestre nas obras orquestrais e nas composições para piano. Sua música pianística exige grande empenho do intérprete, por suas dificuldades técnicas e expressivas.
Ma mére l’Oye (Mamãe ganso), é uma suíte para piano. Suíte é uma composição instrumental dividida em várias partes, normalmente com ritmos de dança. Esta peça foi escrita originalmente para ser tocada a quatro mãos e como presente a duas crianças. Foi inspirada em vários contos de fada franceses, como a Bela Adormecida, O Pequeno Polegar, A Serpente Verde, A Bela e a Fera. Posteriormente, foi orquestrada por Ravel, que a transformou num balé.

(1863-1934)
ERNESTO NAZARETH
Pianista e compositor brasileiro, considerado um dos grandes nomes do choro. Suas composições pianísticas muitas vezes retrataram o ambiente musical das serestas e choros, expressando através do piano a musicalidade típica do violão, da flauta, do cavaquinho, característica do choro, revelador da alma brasileira. Importante também em sua obra a influência de 13 compositores europeus, principalmente Chopin, cuja obra Nazareth estudou meticulosamente e cuja inspiração se revela em suas valsas.
Ernesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares e os levou para o piano, dando-lhes um requinte e sofisticação. Sua obra transita na fronteira do popular com o erudito e o espírito do choro está sempre presente. Duvidoso e Escorregando, numa transcrição para quatro mãos de Kaplan, são exemplos perfeitos do estilo de Ernesto Nazareth.

ALMEIDA PRADO
Compositor e pianista brasileiro, considerado um dos maiores expoentes da música erudita no Brasil. Professor do Instituto de Artes, na Unicamp por 25 anos, prezava a originalidade e a liberdade estética. Seguiu a pluralidade de estilos, técnicas e estéticas da música erudita da segunda metade do século 20. São características que podem ser observadas em algumas de suas obras, como em Seis Episódios de Animais, apresentada nesta etapa do Bravíssimo.

(1935-2009)
JOSÉ ALBERTO KAPLAN
Compositor, pianista, maestro e professor nascido na Argentina e falecido em João Pessoa, Paraíba. Como pianista premiado, atuou nas principais cidades da Argentina e do Brasil. Com o pianista Gerardo Parente formou o Duo de Piano a quatro mãos Kaplan-Parente, com o objetivo de divulgar o repertório brasileiro para esta formação. Foi regente da Orquestra Sinfônica da Paraíba e responsável pela criação de um polo de compositores e pianistas na Paraíba.
A modinha é um tipo de composição musical de origem portuguesa. É uma canção sentimental, influenciada pelo canto lírico da ópera italiana. Foi inventada na década de 1730 pelo português Antônio Teixeira que estudou música na Itália. Quarenta anos depois da sua invenção em Lisboa, a modinha chegou ao Brasil com o padre Domingos Caldas Barbosa que estudou direito em Coimbra e de lá trouxe esta novidade musical, tornando-se o primeiro compositor brasileiro de modinhas. A Casinha Pequenina é modinha tradicional e de domínio público. Teve sua primeira gravação em 1905, em disco da Casa Edison, a primeira casa gravadora no Brasil e na América do Sul, fundada em 1900, no Rio de Janeiro.
Azulão é composição do compositor e poeta brasileiro Jayme Ovalle (1894-1955). Amigo de nosso poeta Manuel Bandeira, que foi quem escreveu a letra desta maravilhosa canção. Azulão representa na música brasileira o que representa na poesia A Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.

FRANCISCO MIGNONE
Pianista, flautista, maestro e compositor brasileiro. Sua obra inclui numerosas canções, obras para piano, óperas e balés. Filho de um imigrante italiano, flautista, começou seus estudos musicais ainda criança, através da flauta. Era conhecido por participar de rodas de choro. Posteriormente, estudou por 9 anos na Europa. Retornando, na década de 1920, se integrou ao movimento modernista brasileiro, compondo obras baseadas no rico folclore brasileiro. A Congada foi composta em 1928. A congada é uma dança popular brasileira que surgiu em Pernambuco, pelos escravos vindos do Congo. É um bailado dramático, com canto e música que recria a coroação de um rei do Congo em que se destacam as tradições históricas, usos e costumes de Angola e do Congo, com influências ibéricas em relação à religiosidade. É uma mistura das festas trazidas pelos negros escravizados com a religiosidade cristã praticada na colônia.
QUEM FAZ

DUO AURORE
CONCERTISTAS
Formado em 2010 por Diego Munhoz e Renata Bittencourt, dois jovens pianistas brasileiros radicados em Paris, o Duo Aurore apresenta-se com frequência na Europa e no Brasil.
O Duo Aurore se aperfeiçoou na classe de música de câmara de Chantal de Buchy na École Normale de Musique de Paris e obteve o diploma de concertista no Conservatório Regional de Paris na classe de Emmanuel Strosser. Seu repertório se estende de Bach e Mozart a compositores contemporâneos e inclui também transcrições de música brasileira.
Primeiro lugar no Concurso Latino-Americano Rosa Mística e primeiro lugar no Concurso de Piano Edna Habith em 2009, Renata Bittencourt se aperfeiçoou na classe de Ricardo Castro na Haute École de Musique de Lausanne, tendo sido orientada também por John O'Connor e Frank Braley. Na França e no exterior, ela se apresentou no Festival Piano Classique (Biarritz), no Festival des Arcs, Klavier Abend à Zurich, LAC (local d'art contemporain à Vevey), entre outros. Além de recitais, Renata Bittencourt foi também solista convidada de orquestras brasileiras, tendo colaborado com os regentes Osvaldo Ferreira, Alex Klein e Julio Medaglia.
O pianista Diego Munhoz concluiu seu bacharelado em música na UNICAMP e se aperfeiçoou na École Normale de Musique de Paris com Helena Elias e Chantal de Buchy. Como solista convidado, apresentou-se com a Orquestra Sinfônica da UNICAMP e Orquestra de Câmara METROCAMP no Brasil. Premiado como melhor pianista acompanhador no Concurso "Bauru-Atlanta Competition", Diego Munhoz é um camerista muito procurado por instrumentistas e cantores: ele participou do Festival Verbier (Suíça) e tocou em recitais solo e de música de câmara na França, Suíça, Alemanha, Espanha, Bélgica e no Brasil.
Em 2016, o Duo Aurore ganhou o segundo lugar no Concurso Internacional de Piano a Quatro Mãos de Mônaco, interpretando na final o Concerto para Piano a Quatro Mãos de Leopold Kozeluh com a Orquestra Filarmônica de Monte Carlo sob a regência de Philippe Bender. O Duo Aurore foi premiado pela Fundação Cziffra em 2017.

LIANA JUSTUS
CURADORIA
Há 25 anos formando novas plateias em música clássica!
Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná; Especialista em História da Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Licenciada em Educação Musical; Curso Superior de Piano; Palestrante e Pesquisadora; Membro da Academia de Cultura de Curitiba; Membro do Centro Feminino de Cultura; Coautora de 11 livros publicados sobre música, dois deles finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 e 2011. www.lianajustus.com.br
Estudo Revolucionário, de Chopin
Polichinelo, de Villa-Lobos
Atraente, de Chiquinha Gonzaga
LOVELOCK, William. História Concisa da Música. São Paulo: Martins Fontes, 2001
Romero, Justo. El Piano. Editora Alianza
O Piano (1993)
A Lenda do Pianista do Mar (1998)