O Nascimento da Música Popular Brasileira
O PROGRAMA
O Bravíssimo apresenta nesta edição um passeio musical pela genuína música brasileira, levando-nos a vivenciar a alma de nosso país. Grandes compositores brasileiros serão apresentados por músicos da mais alta qualidade musical!
O REGIONAL
São os conjuntos musicais instrumentais que executam os choros e as serestas. Os conjuntos regionais são compostos por instrumentos de sopro, cordas e percussão. Geralmente têm mais de um instrumento solista, como flauta, bandolim, cavaquinho ou ainda clarinete e saxofone. O cavaquinho faz o papel de centralizador do ritmo e um ou mais violões de seis cordas e um violão de sete cordas fazem o acompanhamento. Além desses instrumentos, há os de percussão, como o pandeiro. O piano e o trombone eventualmente fazem parte dos regionais.
O CHORO
REFERENCIAL HISTÓRICO
O Choro é um gênero puramente instrumental da música brasileira e nasceu no Rio de Janeiro. É o gênero mais tipicamente brasileiro. Começou a nascer com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, que fugia da invasão de Napoleão trazendo para cá de dez a quinze mil europeus, parte da corte portuguesa. Como consequência, a cidade do Rio de Janeiro passou por transformações urbanas e culturais como nunca havia tido até então.
Junto com a corte portuguesa vieram o piano, clarinete, violão, flauta, bandolim, cavaquinho e os músicos destes instrumentos. Com eles vieram também as músicas em moda nos bailes europeus da época, como a valsa, a polca, a quadrilha, a modinha, o schottisch (o xote), a mazurca e que rapidamente fizeram sucesso na nova capital do reino português.
O Choro é o resultado do contato do músico brasileiro com estes novos estilos musicais que aqui chegaram, especialmente a polca. Ela foi executada pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1845, num ambiente musical já fortemente influenciado pelos ritmos africanos, principalmente a dança do Lundu, introduzido no Brasil por escravos de Angola e Congo, presente na cultura brasileira desde o final do século 18. Assim, o Choro surgiu da união dos estilos musicais e ritmos vindos de dois continentes: Europa e África. Os diversos gêneros musicais estrangeiros começaram a ser tocados com ritmos afro-brasileiros. Um dos pioneiros nesta fusão dos estilos e ritmos musicais europeus e africanos foi o flautista e compositor carioca Joaquim Antônio Callado (1848-1880). Professor de flauta no Conservatório Imperial, com grande conhecimento musical, reuniu em torno de si os melhores músicos da época, que tocavam por simples prazer.
Assim, Callado criou o primeiro e mais original conjunto musical brasileiro: uma flauta, um violão e um cavaquinho e com ele nasceu o Choro, um dos mais originais estilos de música, estilo peculiar de interpretar diversos gêneros musicais, um símbolo da cultura brasileira.
Apartir da metade do século 19, os músicos brasileiros tocavam a polca, a valsa, o xote, a quadrilha, a mazurca, o minueto, todos os ritmos europeus e em moda nos bailes da época, de maneira própria e original. Este é o nosso Choro e seus primeiros executantes eram funcionários públicos, instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes que moravam nos subúrbios do Rio de Janeiro, geralmente de origem negra, numa genuína cultura afro-carioca. Encontravam-se nas tardes de domingo, nos quintais das casas para tocar junto a uma mesa farta de comidas e bebidas. Eram conhecidos como Grupo de Chorões.
O Choro é considerado a primeira música urbana tipicamente brasileira, reconhecido em excelência e requinte musical. A improvisação é condição básica do músico de choro, assim como a grande virtuosidade no seu instrumento. Costumamos dizer que os músicos do choro são “feras”! Podemos também nos referir ao Choro como Chorinho.
Com o desenvolvimento deste gênero musical, outros instrumentos de cordas e sopro foram sendo incorporados.
A SERESTA
A Seresta também é um gênero musical brasileiro. Surgiu da tradição popular brasileira das cidades de fazer serenatas. Esta tradição foi herdada da Península Ibérica, onde músicos cantavam pelas ruas, à noite, com paradas diante das casas das namoradas. Eram canções sentimentais e no século 19 começaram a ser acompanhadas por músicos de choro na flauta, violão e cavaquinho. Música, romantismo e nostalgia passaram a fazer a combinação clássica das serenatas.
Apartir do século 20, estas serenatas começaram a ser chamadas de serestas e seus cantores e instrumentistas de seresteiros. Conservatória, no Rio de Janeiro, é considerada a capital da Seresta.
PROGRAMA | DEZEMBRO 2021
ERNESTO NAZARETH (1863-1934)
Apanhei-te cavaquinho
CHIQUINHA GONZAGA (1847-1935)
Lua branca / Corta jaca
WALDIR AZEVEDO (1923-1980)
Pedacinhos do céu / Delicado
DILERMANDO REIS (1916-1977)
Se ela perguntar
JACOB DO BANDOLIM (1918-1969)
Noites cariocas / Santa morena
PIXINGUINHA (1897-1973)
Lamentos / Carinhoso
VALDIR AZEVEDO (1923-1980)
Brasileirinho
COMPOSITORES

(1863-1934)
ERNESTO NAZARETH
Pianista e compositor brasileiro, levou o choro para o piano. Grande conhecedor da obra do compositor polonês Chopin, Nazareth foi concertista clássico, mas compôs uma série de obras para piano de alto nível técnico musical com os ritmos em processo de fusão de sua época. Foram polcas-lundus, valsas, polcas, tangos brasileiros, que no século 20 receberam o nome de Choro. Apanhei-te Cavaquinho, uma polca, foi publicada em 1914. Este título faz referência a uma expressão da época, em que se pega alguém em flagrante.
Os acordes da mão esquerda do pianista são executados à maneira de um cavaquinho e a direita imita uma flauta. É de difícil execução e um dos maiores sucessos de Ernesto Nazareth.

(1847-1935)
CHIQUINHA GONZAGA
Compositora, pianista e maestrina brasileira, a primeira no mundo! Foi também a primeira mulher a fazer parte de um grupo de chorões e a primeira compositora popular do Brasil! Autora da primeira composição criada para o Carnaval, a marcha “Ó Abre Alas”, definiu um novo estilo musical, a Marcha-Rancho, considerado o ritmo oficial do Carnaval. 13 WALDIR AZEVEDO (1923-1980) Compositor, instrumentista, mestre do cavaquinho. Foi pioneiro ao retirar o cavaquinho de seu papel de acompanhante no choro e o colocar em destaque como instrumento solista, explorando de forma inédita as potencialidades deste instrumento. Célebre instrumentista do cavaquinho, iniciou sua carreira artística em programas de calouros de rádio, com seu regional. Pedacinhos do Céu, foi um choro dedicado às suas filhas. Delicado, um baião, foi gravado pela internacional cantora brasileira Carmen Miranda, em 1955 e uma das últimas músicas cantadas por ela antes de falecer. O choro Brasileirinho foi a primeira composição e o primeiro sucesso de Waldir Azevedo. Chiquinha Gonzaga foi a vanguarda da mulher na música brasileira. Introduziu a música popular brasileira nos salões de elite de sua época. A modinha Lua Branca é uma das mais célebres canções brasileiras e uma das mais conhecidas composições de Chiquinha Gonzaga. Ela foi escrita para o musical Forrobodó, de autoria de Chiquinha. O famoso Corta Jaca, também conhecido com o nome de Gaúcho, foi uma composição escrita para o musical Zizinha Maxixe, onde foi dançado na cena final. O Corta Jaca foi a primeira música popular a ser executada na sede do governo, diante do corpo diplomático e da elite do país, em 1914. Tornou-se um clássico do grande repertório da música instrumental brasileira.

(1923-1980)
WALDIR AZEVEDO
Compositor, instrumentista, mestre do cavaquinho. Foi pioneiro ao retirar o cavaquinho de seu papel de acompanhante no choro e o colocar em destaque como instrumento solista, explorando de forma inédita as potencialidades deste instrumento.
Célebre instrumentista do cavaquinho, iniciou sua carreira artística em programas de calouros de rádio, com seu regional. Pedacinhos do Céu, foi um choro dedicado às suas filhas. Delicado, um baião, foi gravado pela internacional cantora brasileira Carmen Miranda, em 1955 e uma das últimas músicas cantadas por ela antes de falecer. O choro Brasileirinho foi a primeira composição e o primeiro sucesso de Waldir Azevedo.

(1916-1977)
DILERMANDO REIS
Violonista, compositor e professor, foi um dos mais importantes violonistas brasileiros e como compositor deixou uma obra muito grande, composta de guarânias, boleros, toadas, maxixes, sambas-canções e principalmente valsas e choros. Formou uma orquestra composta por 10 violonistas, uma das primeiras no gênero. Foi um grande violonista tanto no repertório clássico quanto no popular.
Assim como Ernesto Nazareth tocava em loja de vendas de partituras, Dilermando Reis dava aulas de violão em loja que vendia instrumentos musicais. A valsa SE ELA PERGUNTAR foi composta em 1958 e é sucesso desde então.

(1918-1969)
JACOB DO BANDOLIM
Músico, compositor e bandolinista de choro. Aos 12 anos ganhou seu primeiro bandolim. Teve uma carreira radiofônica de grande sucesso nas décadas de 30, 40 e 50. São de sua autoria clássicos do choro como Vibrações, Doce de Coco, Noites Cariocas, Assanhado e Receita de Samba. Criou o regional Época de Ouro no início da década de 60, que permanece em atividade até os dias de hoje.
Discípulo de Ernesto Nazareth e Pixinguinha, Jacob do Bandolim é um mestre do bandolim.
Os choros Noites Cariocas, composto em 1957 e Santa Morena são grandes sucessos até os ias de hoje e são obras que estão nos repertórios dos mais famosos regionais.

(1897-1973)
PIXINGUINHA
Maestro, flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro. Seu nome verdadeiro era Alfredo da Rocha Vianna Filho e é considerado um dos pilares da moderna música popular brasileira. De família musical, aprendeu música em casa com seus irmãos músicos e teve seu primeiro emprego como instrumentista da flauta aos 15 anos de idade. Seu pai trabalhava nos Correios e Telégrafos e como músico amador também tocava em grupos de choro, na tradição do início deste gênero musical brasileiro.
São de sua autoria obras primas da música brasileira como Carinhoso, Lamentos, Rosa, aquele Tempo. Lamentos, na década de 1960, recebeu letra do poeta Vinícius de Moraes.
Carinhoso é uma das obras mais importantes da música popular brasileira, foi composta entre 1916 e 1917, e recebeu letra de João de Barro.
QUEM FAZ

JULIÃO BOÊMIO
CAVAQUINHO
Músico atuante, produtor musical, arranjador, professor de cavaquinho e do Conjunto de Choro do Conservatório de MPB de Curitiba onde também é Assistente de Direção da orquestra à Base de Corda do CMPB onde já trabalhou com grandes nomes como Hamilton de Holanda, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Lenine, Renato Teixeira, etc.
Em algumas de suas produções realizou shows em várias capitais do Brasil, dividindo o palco com renomados artistas, como: Nilze Carvalho, Carlinhos Vergueiro e Tia Surica da velha guarda da Portela. Foi professor na Universidade Estadual de Londrina nos anos de 2014 e 2015, nas oficinas de Música lecionando o curso de cavaquinho e Conjunto de Choro. Também foi professor na 35ª oficina de Música de Curitiba, em 2018, como professor de Conjunto de Samba e Cavaquinho.
Participações em shows com grandes nomes, como: Altamiro Carrilho, Noite Ilustrada, Silvério Pontes e Zé Da Velha, Joel Nascimento, Regional Época de Ouro na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Atuante em gravações de estúdios musicais se destacando em trabalhos premiados, como o disco Feijão no Dente, de Julião Boêmio, Variedades Contemporâneas, Regional Curitibano, Energia e Luz Mãe Orminda, etc.
Foi citado por Paulinho da Viola na Folha de São Paulo como um dos melhores instrumentistas do gênero do país. Em turnê internacional fez shows em Portugal no Conservatório de Lisboa e no Festival Womex em Santiago de Compostela - Espanha.

RENAN BRAGATTO
PIANO, BANDOLIM, FLAUTA E ACORDEON
Compositor e Multi instrumentista, se apresenta desde 2003 em formações de Choro, Forró e Samba (com piano, bandolim, acordeon e cavaco), sempre valorizando nossa Cultura brasileira.
No ano de 2011, finalizou a gravação do CD de seu Primeiro Projeto Autoral, no Grupo Saçurá, com shows de lançamento no Sesc São José dos Campos, Bauru e Campo Grande.
É músico da Orquestra à Base de Cordas de Curitiba e professor no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba, ambos ao Bandolim.

VINÍCIUS CHAMORRO
VIOLÃO DE 7 CORDAS
Integrante da Orquestra à Base de Corda do CMPB (Conservatório de Música Popular Brasileira). Acompanhou diversos nomes da música popular brasileira, tais como: Humberto Araújo, Ceumar, Mônica Salmaso, Roberto Correa, Guilherme de Brito, Nelson Sargento, Bruno Rian, Silvério Pontes, Camunguelo, Nadinho da Ilha, Nilze Carvalho, Altamiro Carrilho, Tantinho da Mangueira, Proveta, Pedro Amorim, Ian Guest, Zé Luiz Mazziotti, Almir Guineto, Marquinhos Satã, Tia Surica, Paulinho Moska, Lenine, Renato Teixeira e Martinho da Vila.
Bacharel em música, graduado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Professor de música e músico atuante.

RICARDO SALMAZO
PANDEIRO
Músico curitibano com prática em música brasileira, em especial no samba e no choro.
Bacharel em Música Popular pela Faculdade de Artes do Paraná, atua em apresentações, projetos culturais e gravações. É membro-fundador dos projetos “Samba dos Sindicatis” e “Samba do Compositor Paranaense”, integrante dos Regionais de Julião Boêmio e Sérgio Albach, além dos grupos Sapato Furado, Braseiro, Sagarana, Regional Generoso e Porque o Samba Merece.

MARYANNE FRANCESCON
ACORDEON - PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
Iniciou seus estudos na gaita ponto aos 8 anos de idade, com os irmãos Alesandro e Fellip Mazzola. Dentre inúmeras premiações, destaca-se: Octacampeã Paranaense, Pentacampeã Brasileira e Campeã Mundial de Acordeon.
É bacharel em Música pela Unila – Universidade Federal da Integração Latino - Americana (2017). Foi solista da orquestra Ladies Ensemble entre 2014 e 2018.
Após dois anos residindo em Curitiba, retornou a Medianeira, onde segue desenvolvendo seus estudos e trabalhos.

LIANA JUSTUS
CURADORIA
Há 25 anos formando novas plateias em música clássica!
Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná; Especialista em História da Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Licenciada em Educação Musical; Curso Superior de Piano; Palestrante e Pesquisadora; Membro da Academia de Cultura de Curitiba; Membro do Centro Feminino de Cultura; Coautora de 11 livros publicados sobre música, dois deles finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 e 2011. www.lianajustus.com.br
Valsas de Zéquinha de Abreu
Altamiro Carrilho e sua flauta
TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular: da modinha à lambada. São Paulo: Art Editora,1991.
MARIZ, Vasco. História da música no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
LISBELA E O PRISIONEIRO, 2003
AQUARIUS, 2016